terça-feira, 16 de junho de 2009

Sarney é inocente há 44 anos: como governador, senador e presidente sem voto

Jamais pensou (?) em ser presidente da República. Começou na Frente Parlamentar Nacionalista, foi diplomado na ditadura (também concorda que foi "ditabranda"), reapareceu como grande líder enriquecido, perdão, encanecido, está no limiar dos 80 anos.
Não respondeu às denúncias documentadas de compra de propriedades pagas com dinheiro desviado de paraísos fiscais, por que contestaria a nomeação do neto?Em Sarney, nada é secreto, nem a paixão como avô.
Condenam o Senado por este fato: "Fizeram 300 atos administrativos secretos, com decisões estapafúrdias e iconoclastas", que palavras. Se eram secretas, como podiam ser publicadas no Diário Oficial?
Outro absurdo é a exigência de devolverem o dinheiro. Ora, se recebiam secretamente, como devolver publicamente? "Parece" perseguição?
Sarney foi sempre desprendido, destemido, jamais deprimido. Desinteressado de bens materiais, chegou a ser obrigado a manter 4 (quatro, isso mesmo) residências.
No Rio, onde morava desde 1952. Em Brasília, a capital mudou, era lá que exercia o mandato de deputado (Inicialmente). Tinha também uma bela casa em São Paulo, era sócio de Abreu Sodré, depois "governador" entre aspas e paetês. Bom amigo, logo que foi presidente (que surpresa) fez de Abreu Sodré chanceler. E casa no Maranhão, a residência modesta teve que se transformar num palacete, com direito a "ilha paradisíaca", que expressão, como fugir a ela?
Ia esquecendo: a exigência constitucional de ter que se candidatar a senador por outro domicílio que não no Maranhão (a filha era governadora) fê-lo (ah, Jânio Quadros, muito amigo enquanto estava no Poder) ter uma outra residência. Pois a prova do domicílio "é o fato de morar". Escolhido o Amapá, cumpriu integralmente "a obrigação a que estava obrigado".
Redundância? Tudo na vida de Sarney "redunda" em benefício.

PS - A existência de Sarney é uma permanente demonstração de heroísmo, lançou-se na vida pública para acabar a "dinastia" Vitorino, que durava 40 anos.

PS2 - Acreditando que o povo não pode viver com "dinastia" (naturalmente opressora) fundou a sua. Em nome do povo, pelo povo, para o povo. Mesmo que a morte os separe.

7 comentários:

  1. José Silva (renato01@bigfoot.com)16 de junho de 2009 09:09

    Dois brasileiros, ambos por volta de oitenta anos, que abismo imenso os separa, o Sr Helio, lutador pelas causas do Brasil, o Sr. José S. lutando por causa própria. O resultado é este, dignidade para o primeiro e escárnio para o segundo. Ele diz que não renuncia. Por menos, renunciou, um parlamentar, ao mandado e à presidência da câmara inglesa, recentemente.

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  2. Gostaria de adicionar ao seu comentario que o Jose Sarney e um dos politicos mais nefastos da historia moderna do Brasil. Ele, politico malandro, NADA patriota, em 1986, onde o povo brasileiro estava movido por uma causa em comum (e nao era futebol), o Dilson Funaro lancou o Plano Cruzado, que, estava dando certo, ate o momento que politicos imorais como o Jose Sarney quis vender toda a esperanca de cada brasileiro como barganha politica para poder eleger o PMDB em todas as capitais do pais (onde quase conseguiu). Deixou os precos congelados ate o dia 16 de novembro, justo um dia depois das eleicoes, sendo que Dilson Funaro, o patriota, disse que a necessidade de liberar o congelamento de precos, no maximo em Julho.... Mas o Jose Sarney, presidente, oportunista, inescrupulosamente sedento de poder, nao respeitou a recomendacao tecnica e patriota de Dilson Funaro. Com isso, foi-se a primeira e unica vez que vi o povo unido em uma causa socio-economica no pais.

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  3. Lembro-me que neste "escandalo" do Senado ninguem é inocente. Lembro até de uma coluna onde o nobre jornalista exaltava a eficiencia do diretor geral do Senado, Agaciel Maia.
    Acredito que o melhor para o Brasil é uma proibição da reeleição inclusive para Senadores e Deputados. Só assim conseguiriamos nos livrar deste meliantes.
    Outra coisa, porque não se proibe a contratação de assessores pelos parlamentares. Porque não utilizar servidores da propria camara ou senado?

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  4. Pois é, mestre Helio. Acho que devemos todos participar e opinar sobre o que acontece na política brasileira. Afinal, isto nos afeta diretamente. Mas adianta alguma coisa opinar sobre o Ribamar e tantos outros igual a ele ? Essa gente só se disassocia do dinheiro público quando morre e ainda assim deixam os filhos ou parentes mais próximos, como seus representantes legais. Temos exemplos por todos Estados brasileiros. Por isso sempre chamo o governo de Corte. E os 3 Poderes, de departamentos da Corte. Eles fazem o que bem entendem, não prestam conta a ninguém, a não ser para seus iguais - por isso se desentendem de vez enquando nos acertos de quanto roubaram. É muito deprimente. E não tem UM ÚNICO político, nenhum mesmo, que se interesse a fundo em combater essa calamidade. Querem mais é que o mundo se acabe em barranco para morrerem encostados.
    Martim Berto Fuchs.

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  5. Hélio, sou seu leitor a pouco mais de um ano e, até hoje, não havia lido um cometário seu a respeito de seu amigo Sarney tão contundente. A vida de um homen como José Sarney, como você mesmo bem escreveu, redunda em benefícios e mordomias. Seu descaramento é tão viu, que o impede de envergonhar-se diante do contribuinte que o enriqueceu.

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  6. Continuo em campanha pela extinção do Senado e a redução da Câmara à sua metade.

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  7. Amigos, desculpem. Ontem, 16/06/2009 14:46, ao postar meu comentário sobre Sarney, redigi "vil" com "u".
    Aproveito para ratificar o adjetivo, depois de assistir a seu pronunciamento da tribuna do Senado.

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