quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brasilia desprezou o povo, abandonou o cidadão

Brasilia nasceu amaldiçoada pelo favoritismo, nada é de graça. Qualquer que seja o fato que se vote, lá está o patrocinio escuso, o beneficio enxertado, o privilegio contaminado pela mordomia irrecusavel. Brasilia não conheceu apenas a decadencia administrativa, representada pelos escandalos em serie, que não cansam de aparecer.

Não existe mais debate na Camara ou no Senado. Inventaram os longos e desnecessarios apartes a favor. O orador fica em pé na tribuna ouvindo por 5, 10 ou 15 minutos, "quero trazer o meu aplauso e homenagem pelo pronunciamento de Vossa Excelencia". E sua Excelencia sem conseguir dizer o que pretendia. Pretendia?

As pessoas são cansativas, estereis, monotonas, sem o menor interesse. Todos concordam, a oposição nem se lembra que precisa se opor, os chamados situacionistasdominam inteiramente. menos quando aparece o multiplo e ecletico Romero Jucá, indispensavel.

Foi lider do governo FHC no Senado. Como reconhecem que é indispensavel, voltou como lider do governo Lula. E tranquilamente desobedecem a Constituição. Esta afirama que os "Poderes são harmonicos e independentes entre si", então por que existe o lider do governo na Camara, no Senado e no Congresso? Três violencias e inutilidades, autorizadas.

Essas lideranças, violencias e inutilidades, desnecessarias, mas autorizadas. E ainda existem os lideres (?) dos partidos, que podem indicar 5 ou 6 vice-lideres, todos com direito a facilidades. O trabalho é maior do que no Rio?

Quando a capital era no Rio, os partidos tinham um lider, e olhe lá. No presidencialismo dos EUA (igual ao do Brasil) o governo não tem lideres na Camara ou no Senado. Existem o lider Republicano e o lider Democrata, e estamos conversados.

Nixon, no primeiro mandato, teve 3 candidatos a ministro (que lá não sse chama ministro, todos são juizes) vetados pelo Senado. Como era e é constitucional, o presidente não se revoltou, não tentou violar ou violentar o fato. Chamou para almoçar na Casa Branca os 2 lideres e os 2 presidentes dos partidos. Acabado o almoço, se retirou, disse: "Os senhores proponham uma formula que possa ser acertada". A proposta ao presidente: "faremos uma lista de 7 nomes, o senhor pode escolher tres deles, serão aceitos imediatamente" (Constitucional e politico).

No Brasil, todos os cargos que precisam ser examinados pelo Senado, não sofrem restrição. São aprovados na hora, o governo não perde uma. Naturalmente, antes há o inevitavel "troca-troca". Que Republica, essa de Brasilia. Insisto na parte politica e decisiva para a opinião publica, pois a questão dos escandalos, mordomias, verbas indenizatorias, passagens, celulares pagos sem limites, dezenas de diretorias, tudo isso depende de VONTADE, ou seja, da modificação da representatividade, mudança para autentica-la.

Fato libelo (na verdade um libelo indefensavel) deveria ter um tamanho tão grande quanto a voracidade dos que representam (?) o cidadão na capital. Lá, fizeram uma invenção fascinante: a renuncia para não ser cassado. E voltarem logo na primeira eleição.

Pois no Rio capital, na Camara, votaram a cassação de um dos seus mais notaveis membros: Carlos Lacerda. Não importa se gostavam ou não gostavam dele, significava o prestigio e a representatividade da Camara. Em 1957, Juscelino disse para os aulicos: "Não aguento mais a oposição de Lacerda. Vamos cassa-lo".

Numa noite, o plenario e as galerias lotadas, começou o processo de cassação do futuro governador. No unico gabinete la de cima, havia até champanhe para comemorar. Lacerda não foi cassado, Juscelino derrotado. A mesma derrota que o então presidente inflingiu ao povo brasileiro, com essa mudança catastrofica e irreversivel.

Não vão diminuir o numero de deputados (513, no presidencialismo dos EUA com mais de 300 milhões de habitantes, são 425). Não reduzirão o tempo e o numero de senadores (Nos EUA, 100 senadores, 2 por cada estado, mandato de 6 anos sem suplentes). Quem sabe aqui ainda achem muito pouco em cada uma das "Casas"?

Não vão mudar nada. Dizem, quase unanimes: Não sabiamos que o Senado tinha 181 diretores. É uma caixa preta". Tinham que saber, é logico, ou então não cumpriam seus mandatos efetivamente. E agora que sabem, estão amasiados com a realidade, consideram que cortar 50 diretores é suficiente? E os que criticavam o proprio Lula por dizer que não sabia de nada?

Logico, todos ficarão impunes, imunes e intocados. Sobre isso, nenhuma duvida, a tranquilidade é total, no plenario e fora dele.

PS - O cidadão-contribuinte-eleitor pode imaginar o que de pior pode passar pela sua cabeça, acontece em Brasilia. Não há restrição ao pensamento pois a realidade é mais dramatica e insoluvel.

PS2 - Na mudança, a nova capital foi, ao mesmo tempo, o pai e a mãe da inflação. 49 anos depois, (quase 50), não há nada parecido em materia de enriquecimento ilicito. Só que essa riqueza não chegou ao povo. A não ser através da "renda per capita", que é apenas privilegio dos ricos.

5 comentários:

  1. Caramba, quando terá fim essa corrupção de mais de 500 anos no Brasil? Educação séria para o povo e ABAIXO O VOTO OBRIGATÓRIO. VOTO LIVRE.

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  2. JOSÉ CARLOS WERNECK21 de maio de 2009 13:40

    Helio se a Capital tivesse continuado no Rio,o Regime Militar não teria durado tanto.A cidade era a caixa de ressonância da opinião pública do País.Com a mudança para o inóspito sertão goiano,infeliz idéia de Juscelino que enriqueceu muitos de seus apadrinhados,isolou-se o poder numa cidade artificial.Creio que Brasília não foi,sonho,mas sim um pesadelo de D.Bosco,que custou e ainda custa milhões ao pobre contribuinte brasileiro.

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  3. Roberto Scalercio21 de maio de 2009 14:12

    Saudações eminente brasileiro Hélio Fernandes:
    Verdade soberana de nossa história. Sempre atualíssimo.
    Abraço

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  4. Não estamos nos dando conta da realidade. As manchetes se preocupam com os índices de crescimento. Um crescimento exclusivamente estabelecido pelos índices de bolsa de valores.
    Banco Central otimista, apesar de apreensivo e cauteloso, firma pacto com os bancos internacionais e mantém as taxas mais elevadas do universo. E ficamos reféns dos comentaristas bacharéis em economia. A farsa declarada quando eles se preocupam exclusivamente com tais índices, mais parecendo hipondríacos em busca de fórmulas mágicas para a eterna juventude.

    A criminalidade cresce a cada dia da forma mais monstruosa possível. A impunidade os busca em forma de justificar projetos sociais sem resultado algum. As crianças formam um exército na mão dos traficantes. A saúde se estabelece como um estado de direito aos que possuem recursos suficientes ao pagamento, muitas vezes exacerbados a critérios quaisquer.

    "Esse é o cara!" Que beleza, para nós monopolistas das ONGs amazonenses. Que beleza para nós alcaponistas, mafiosos banqueiros que furtivamente se apropriam de nosso patrimônio. Já pensaram o que de fato é ou pertence ao Brasil? Nem a linha de soltar pipa, talvez seja mais nossa. E dizemos, que beleza soltar pipa.

    Perdemos os parâmetros de consciência, não conseguimos mais avaliar sequer nosso modo de vida cuja liberdade funde-se às masmorras do vício, da droga, da prostituição, do jogo. Reféns da impunidade quando o campo de domínio desses bem-aventurados donos do poder é ameaçado.

    Não temos mais dignidade, não temos mais cidadania. Párias de um sistema onde os poderes constituídos perdem a vergonha, a dignidade, a moral e, sem ética alguma trepam no poleiro da oratória batendo no peito como sustentáculos da moral e da honra. Consideram-se os paladinos da moralidade e, o que é pior, são aplaudidos.

    A vergonha nacional se estabelece como paradigma de educação.

    Existe alguma instituição séria? Onde está? O que faz? Vão dizer, claro que existe. Mas os que a compõem, como são. Para nos iludir vale a comparação: se colocarmos um trator na pista de fórmula 1, enquanto ele dá partida os outros já completaram uma volta. Coloque um fórmula 1 em uma campo de lavoura. Sem sair do lugar o trator já fez o plantio de todo o terreno.

    Essa é a nossa imagem, grandes máquinas, grandes pilotos. Todos na total impotência de sequer requerer seus direitos, menos ainda sustentar suas obrigações.

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  5. Que tal nunca mais votar em quem teve mandato? É o fim da impunidade política. É a renovação necessária num pais de quase 1oo milhões de eleitores-potenciais candidatos. É o fim da oligarquia e do continuismo, da mesmisse e da chatisse.

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